Meu filho reclama de dor no calcanhar: o que pode ser?
- Dionatan Kühl
- 18 de jul.
- 2 min de leitura
Seu filho tem entre 8 e 12 anos, joga futebol ou faz atletismo, e começou a mancar depois do treino reclamando do calcanhar. Na maioria das vezes isso não é lesão grave — é doença de Sever, e tem tratamento simples. Mas exige diagnóstico correto.
Sever é a causa mais comum de dor no calcanhar em crianças e adolescentes — e costuma aparecer no início de temporada esportiva ou em pleno estirão de crescimento.
O que é a doença de Sever?
Sever é uma apofisite do calcâneo: inflamação da placa de crescimento na parte de trás do osso do calcanhar, onde o tendão de Aquiles se insere.
Durante o estirão, o osso cresce mais rápido que a musculatura da panturrilha. O resultado é tração aumentada do Aquiles sobre uma cartilagem de crescimento que ainda não se fechou. Some a isso corrida e salto repetidos e você tem a receita da dor.
É uma condição autolimitada — resolve com o fechamento da placa de crescimento. Isso não significa esperar de braços cruzados: dor mal manejada tira a criança do esporte e cria evitação.
Como reconhecer em casa?
Idade típica: 8 a 12 anos, em fase de crescimento acelerado.
Dor que aparece com atividade — correr, saltar, jogar — e melhora com repouso.
Piora no início de temporada ou após aumento de volume de treino.
Dor à compressão lateral do calcâneo (apertar os lados do calcanhar) e à dorsiflexão passiva.
Criança começa a andar na ponta do pé para evitar apoiar o calcanhar.
Dor noturna, febre, inchaço importante ou dor que não melhora com repouso não são de Sever e exigem avaliação médica.
Precisa fazer raio-x?
Em geral, não. A radiografia costuma ser normal na doença de Sever e não é útil para confirmar o diagnóstico. O que se vê às vezes — apófise fragmentada ou esclerótica — também aparece em crianças sem dor nenhuma.
A imagem serve para excluir outras causas quando o quadro é atípico: fratura, infecção, tumor ósseo. Não é rotina.
Como é o tratamento?
Conservador, e com bons resultados quando bem conduzido:
Ajuste de carga, não parada total. Reduzir volume e impacto, manter a criança no esporte quando possível.
Alongamento e fortalecimento específico — é a peça central, porque ataca a causa mecânica.
Gelo após a atividade para controle sintomático.
Calçado adequado com amortecimento de calcanhar.
Palmilha para reduzir a tração do Aquiles sobre a apófise.
Medicação analgésica conforme orientação médica.
Na Cure, o foco é manter a criança ativa enquanto reduzimos a sobrecarga — porque tirar do esporte por meses tem custo que vai muito além do pé.
Quando procurar avaliação?
Se a dor está durando mais de duas ou três semanas, se está limitando o treino, ou se a criança já mudou o jeito de andar, vale avaliar. Uma consulta resolve a dúvida e evita meses de dor desnecessária.
Avaliação com fisioterapeuta, baropodometria computadorizada e escaneamento 3D quando indicado. R. Blumenau, 178 — sala 705, Centro, Joinville/SC. WhatsApp (47) 3801-2376.
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Referências
10.7759/cureus.88779 · 10.1186/1757-1146-8-S2-O22
Dionatan Kühl
Fisioterapeuta · CREFITO-10 252962-F · Sócio da Clínica Cure
Palmilhas 3D · Baropodometria · Terapia Manual
Clínica Cure Saúde e Desempenho · Joinville, SC



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